Malware PixRevolution sequestra transferências PIX do Brasil em tempo real

Um trojan bancário Android recentemente identificado, capaz de sequestrar as transferências instantâneas de pagamentos do Brasil, visando um dos sistemas financeiros mais utilizados do país, foi descoberto por pesquisadores de segurança.

O malware, conhecido como PixRevolution, monitora silenciosamente os smartphones das vítimas e redireciona fundos durante transações PIX, de acordo com uma nova análise da empresa de segurança móvel Zimperium.

A plataforma PIX do Brasil, lançada em 2020 pelo Banco Central do Brasil, permite pagamentos instantâneos com liquidação em segundos. O sistema transformou o cenário financeiro do país, com mais de 76% dos brasileiros utilizando-o e mais de três bilhões de transações processadas todos os meses.

Os pesquisadores disseram que o PixRevolution explora a velocidade e a irreversibilidade dessas transferências. Depois que um pagamento PIX é concluído, ele não pode ser revertido, o que o torna um alvo atraente para o crime cibernético financeiro.

Sequestro de pagamento em tempo real

O trojan permanece oculto no dispositivo da vítima até que uma transação PIX seja iniciada. Quando um usuário insere a chave de pagamento do destinatário e confirma a transferência, o malware exibe brevemente uma tela de carregamento onde se lê “Aguarde…”, que significa “por favor, aguarde”.

Nos bastidores, porém, o malware substitui a chave do destinatário por uma controlada pelos invasores. A transação é concluída normalmente, deixando a vítima sem saber que os fundos foram redirecionados.

Ao contrário de muitos trojans bancários que dependem de scripts automatizados, o PixRevolution usa o que os pesquisadores chamam de modelo de “agente no circuito”. Um operador remoto observa a tela do telefone da vítima quase em tempo real e intervém no exato momento em que o pagamento é processado.

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Zimperium disse que o malware depende de várias técnicas coordenadas:

  • Monitoramento contínuo através de permissões de acessibilidade do Android

  • Transmissão de tela ao vivo para um servidor de comando controlado pelo invasor

  • Detecção de palavras-chave para identificar transações financeiras

  • Uma sobreposição de carregamento falsa que oculta o momento em que os detalhes do pagamento são substituídos

Toda a manipulação leva apenas alguns segundos e deixa poucas indicações de que algo incomum ocorreu.

Aplicativos falsos usados ​​para espalhar malware

Cimério avisado que a campanha se espalha através de páginas de download fraudulentas projetadas para se parecerem com a loja oficial do Google Play. Esses sites imitam listagens de aplicativos reais, completas com descrições, classificações e botões de instalação. Em vez de redirecionar para a loja original, o botão baixa um arquivo malicioso do Android.

Os pesquisadores identificaram diversas amostras que se faziam passar por serviços brasileiros bem conhecidos, incluindo plataformas de viagens, serviços postais, aplicativos de investimento e software antivírus.

Após a instalação, os usuários são solicitados a habilitar um serviço de acessibilidade chamado “Revolution”. A página de integração afirma que a permissão é necessária para ativar os recursos do aplicativo e garante aos usuários que nenhuma informação pessoal é coletada.

Uma vez concedido, no entanto, o trojan ganha amplo acesso ao dispositivo, incluindo a capacidade de ler o conteúdo da tela e simular toques.

Com mais de 150 milhões de usuários do PIX no Brasil e bilhões de transações mensais, os pesquisadores alertam que mesmo uma pequena taxa de sucesso para ataques como o PixRevolution pode levar a perdas financeiras significativas.

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By iReporter Tech

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